quarta-feira, 25 de maio de 2011

Noites Brancas

Aproveito o momento divulgação do Caio para colaborar com um post que escrevi ontem para o meu blog www.collectivefeelings.com.


Espero que gostem!


Rafaella




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Hoje quis falar sobre a cena que, em minha humilde opinião, é a mais antológica do filme "Noites Brancas", dirigido e escrito por Luchino Visconti em 1957 e baseado no pequeno romance homônimo de Fiódor Dostoiévski. 


Antes de avançar, explico um pouco do contexto:
Mario (Marcello Mastroianni) e Natália (Maria Schell) são dois jovens extremamente introvertidos que se cruzam à noite em uma ponte erma de Veneza. Mario, acostumado a vagar nas ruas solitariamente, encontra Natália chorando. Desse momento em diante o par engata uma parceria contra a solidão, revezando os turnos de desabafos e, após um tempo, Mario inevitavelmente se apaixona por Natália. Se não, não seria um romance, e sim, uma história sobre os primórdios da terapia em grupo. O problema é que a jovem e ingênua Natália prometeu seu amor a um ex-inquilino de sua casa e já faz um ano que está a espera do seu regresso. Inquilino, ficante, ex namorado - vem todos do mesmo lugar e somem todos para o mesmo buraco. Coitada.


Mas, voltando ao que interessa, para mim, a cena a seguir, sintetiza bem a personalidade de ambos os personagens principais: ingênuos, solitários, pueris, desengonçados, inexperientes e ávidos por "viver".


A cena abre com algumas pessoas que estão na boate. Sensuais, desinibidas, esbaforidas e calorentas. Logo vemos Natália e Mario, ainda trajando seus casacos, discutindo os pesares de suas vidas. De vez em quando dedicavam o olhar para os lados e a energia do ambiente os contagiava lentamente. Eis que surge na cena um casal de dançarinos, completamente envolvidos no momento. A música de Bill Haley & His Comets deslancha em um crescendo e, pouco a pouco, espalha-se pela sala. O casal de dançarinos, que destaquei agora há pouco, segue em direção a Mario e Natália, que retrai timidamente, como uma criança. Aos poucos os casacos vão sendo tirados e, finalmente, levantam para dançar. 


O ápice da cena é quando Marcello Mastroianni decide ir para o meio da pista. Deu vontade de ligar pro Hitch e encomendar umas aulinhas particulares. Mas, mais importante do que a falta de coordenação do Mario é esse seu momento de libertação. Vemos Mario se esbaldando no estilo robocop dos anos 60 e Natália rindo e dançando como nunca.


Depois dessa cena, o ex-inquilino reaparece, promete todo o seu amor a jovem, depois a abandona; mario e Natália se separam e cada um segue o seu caminho e assim é a vida.  Triste? Não, necessariamente. A vida é decepção, frustração, solidão e angústia, sim. Mas no meio disso, sempre achamos um espaço para a felicidade e a descontração. Afinal, ninguém é de ferro. 



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